Bauru fecha primeiro quadrimestre com saldo positivo de contratações
- mateusconte
- 23 de jun. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de jun. de 2022
Apesar do aumento das admissões em diversos setores da economia, a rotatividade permanece elevada na cidade
Por João Pedro da Silva e Mateus Conte

Operários trabalhando na construção de uma barragem - Foto: João Prudente
A cidade de Bauru apresentou melhora nos índices de emprego no primeiro quadrimestre de 2022. É o que apontam os dados fornecidos pelo Novo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Previdência. Entre janeiro e abril, foram 24.541 admissões, enquanto 22.155 trabalhadores foram desligados. O saldo foi positivo: 2.386 postos de trabalho.
Boa parte deste cálculo é resultado do aumento de contratações no mês de fevereiro, quando foram registrados 7.234 contratações e 5.675 demissões – um saldo positivo de mais de 1500 postos de trabalho.
O setor de serviços garantiu o resultado de fevereiro, respondendo por 5.139 das admissões do mês. No entanto, ainda é perceptível a alta rotatividade no cenário empregatício em Bauru; contrata-se muito e demite-se muito, independente do mês.
Esta alta volatilidade na cidade se dá pela falta de qualificação profissional adequada dos contratados, aponta o economista Reinaldo Cafeo. “Há um investimento das empresas no sentido de lapidar esse profissional, mas por vezes eles não têm o que entregar”, completa.
Cafeo ainda afirma que a carência de vagas não é devidamente suprida, embora haja oferta de mão-de-obra qualificada, situação conhecida como ‘desemprego estrutural’. Segundo o economista, “Temos um mercado de trabalho com disponibilidade, mas os perfis não estão se encaixando com o que as empresas estão buscando”.
O setor de serviços foi o que apresentou o maior volume de contratações e desligamentos no 1º quadrimestre, fechando o período com um saldo positivo de 2.193 postos de trabalho. O destaque foi o mês de fevereiro, que registrou um aumento significativo de admissões, contribuindo para o superávit do período.
O setor de comércio, um dos mais afetados pela pandemia da Covid-19, também apresentou uma recuperação econômica nos primeiros quatro meses do ano. Muito embora o saldo quadrimestral do setor seja negativo, houve uma evolução: enquanto janeiro e fevereiro obtiveram perda de 364 postos de trabalho, março e abril apresentaram um balanço positivo de 130 vagas.
Os setores de comércio e serviços apresentaram o maior volume de contratações nos quatro meses iniciais de 2022. Esses setores somados representaram cerca de 75% das admissões em Bauru, seguidos dos setores de construção e indústria, que apresentaram valores em torno de 12% e 10%, respectivamente.
A agropecuária, conhecida como setor primário da economia, apresentou instabilidade nos primeiros quatro meses do ano, representando cerca de 1,5% das contratações desse período O campo agrícola começou o ano com saldo negativo em janeiro; no mês seguinte, no entanto, houve um balanço positivo de 79 postos de trabalho. Em março e abril, porém, os números voltaram a cair, chegando a um déficit de 86 vagas.
O saldo positivo apresentado no primeiro quadrimestre de 2022 é resultado da recuperação econômica após a retomada das atividades presenciais, paralisadas por cerca de dois anos devido à pandemia da Covid-19. O impacto da pandemia foi perceptível em abril de 2020, quando houve 3.268 demissões a mais que contratações.
Já nos primeiros quatro meses de 2021, a segunda onda do coronavírus também desestabilizou o saldo empregatício em Bauru, quando março e abril registraram um déficit na relação entre admissões e demissões, após uma tendência de recuperação econômica nos meses anteriores.
Perspectivas de emprego para o segundo quadrimestre
Após um período de janeiro-abril semelhante ao que vivemos atualmente, Bauru apresentou melhora no segundo quadrimestre em 2021, quando registrou um saldo positivo de 2.963 empregos. Este número pode ser um indicativo da retomada na economia bauruense em 2022, caso a projeção se mantenha.
Segundo Cafeo, as empresas de crédito, como bancos e administradoras de cartão, contribuem para a recuperação do emprego na cidade. “Já temos uma recuperação do setor de serviços em nível nacional, e ao mesmo tempo uma potencialização da contratação dessa mão-de-obra em nível local”. O economista conclui que “a cidade hoje tem quatro ou cinco grandes empresas operando o setor de recuperação de crédito, com forte apetite pela contratação”.
Comments