20 anos do Penta: relembre a trajetória da seleção brasileira
- Caio Gaspareto Chiozzi
- 30 de jun. de 2022
- 5 min de leitura
Confira como foi o ciclo de Copa, números daquela seleção, momentos marcantes e curiosidades do pentacampeonato
Por Caio Chiozzi
O ano de 2022 é diferente para o futebol brasileiro não apenas por ser ano de Copa Mundo, mas também por comemorar o aniversário de uma das maiores conquistas da seleção brasileira. Em 2002, o Brasil vencia seu 5º título de Copa do Mundo, torneio que foi disputado no Japão e na Coreia.
A “Família Scolari” (como ficou conhecido o elenco pentacampeão), em meio à desconfiança e às dúvidas que permeavam a preparação para o torneio, conseguiu marcar seu nome na história do futebol brasileiro e mundial. Vamos relembrar como foi aquele ciclo e os principais acontecimentos da Copa de 2002.

Pós-Copa de 1998
Logo após o vice-campeonato de 1998, na França, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu trocar o comando técnico da seleção. Vanderlei Luxemburgo, então técnico do Corinthians, assumiu a vaga deixada por Zagallo.
Luxemburgo disputou 3 amistosos em 1998 e já iniciou a preparação para a Copa América e a Copa das Confederações do ano seguinte. Mesclando jogadores do time base da Copa de 98 (Cafú, Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo) com novos talentos que surgiam no futebol brasileiro, como Alex, Djalminha e Ronaldinho Gaúcho, a seleção chegou como uma das favoritas para os torneios.
O Brasil venceu a Copa América de 1999, realizada no Uruguai, com muita autoridade. A equipe ganhou todos os jogos e bateu os donos da casa na final por 3 a 0. Já na Copa das Confederações, Luxa optou por levar jogadores menos experientes e fazer testes no elenco. O desempenho não foi o esperado: derrota na final para o México por 1 a 0.

Eliminatórias da Conmebol
As Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 representou o momento de maior desconfiança e preocupação para os brasileiros. Depois de começar a competição com uma vitória e um empate, a seleção teve uma perda quase irreparável.
O atacante Ronaldo Fenômeno, da Inter de Milão, machucou o joelho e teve que ficar mais de 1 ano sem jogar futebol. Com isso, o camisa 9 não disputou nenhum jogo das Eliminatórias e o Brasil perdeu seu principal atacante, sem a certeza de que ele teria condições de disputar a Copa do Mundo.
Troca de técnicos
As turbulências na seleção brasileira só estavam começando. Após oito rodadas das Eliminatórias, os comandados de Luxemburgo tiveram um desempenho irregular de 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, o que deixava a seleção na quarta colocação do torneio.
Para aumentar a pressão, Luxemburgo preparava a seleção para jogar as Olimpíadas de Sydney e optou por não levar nenhum jogador acima de 23 anos. O resultado foi um vexame: Brasil eliminado nas quartas de final pela seleção de Camarões e voltando para casa sem medalha.
Com essa sequência ruim, Luxemburgo deixou o comando técnico da seleção depois de 38 jogos, com 24 vitórias, 5 derrotas e 9 empates. Ele foi substituído por Emerson Leão.


Leão Assumiu o cargo em novembro de 2000 e estreou com vitória sobre a Colômbia pelas Eliminatórias. Entretanto, o desempenho do time em campo deixava muito a desejar e os resultados negativos não demoraram para aparecer.
O Brasil ficou em 4º lugar na Copa das Confederações de 2001, após perder a decisão de 3º para a Austrália. O treinador acabou sendo demitido logo depois do torneio, após 3 vitórias, 3 empates e 4 derrotas em 10 jogos.
Felipão e a classificação
O escolhido para o lugar de Leão foi Luiz Felipe Scolari (Felipão), que teve um péssimo início de trabalho. Estreou com derrota para o Uruguai na 13ª rodada das Eliminatórias e na sequência foi eliminado da Copa América de 2001 pela Honduras. A seleção ainda estava na quarta colocação das Eliminatórias e, até então, classificada para a Copa, mas o desempenho e os resultados só aumentavam a desconfiança sobre o time.

Apesar do início turbulento, Felipão conseguiu estruturar um bom trabalho, se apoiando em jogadores experientes para levar o Brasil ao Mundial. A canarinho se classificou na última rodada, com uma vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela. O Brasil terminou as Eliminatórias com a seguinte campanha:
3ª colocação;
30 pontos conquistados;
31 gols marcados;
17 gols sofridos;
Artilheiro do time: Romário (8 gols).
Convocados para a Copa
Mesmo Romário sendo o artilheiro do Brasil nas Eliminatórias, ele ficou de fora da lista dos 23 convocados por opção técnica de Felipão e devido à indisciplina do jogador. Outro atleta que não jogou o mundial foi o volante e capitão do time Emerson, cortado na véspera da estreia por causa de uma lesão no ombro durante treinamento.
Sem esses atletas, Felipão fechou o elenco com os seguintes jogadores:
Goleiros: Marcos (Palmeiras), Dida (Corinthians) e Rogério Ceni (São Paulo)
Defensores: Cafú (Milan), Lúcio (Bayer Leverkusen), Roque Júnior (Milan), Edmílson (Lyon), Roberto Carlos (Real Madrid), Júnior (Parma), Belletti (São Paulo) e Anderson Polga (São Paulo);
Meio-campistas: Ricardinho (São Paulo), Kléberson (Athletico Paranaense), Gilberto Silva (Atlético Mineiro), Rivaldo (Barcelona), Kaká (São Paulo), Vampeta (Corinthians) e Juninho Paulista (Flamengo);
Atacantes: Ronaldinho Gaúcho (PSG), Ronaldo (Inter de Milão), Denílson (Real Betis), Edílson (Kashiwa Reysol) e Luizão (Grêmio).
A seleção tinha média de idade de 26 anos e dos 23 convocados, 12 deles defendiam clubes brasileiros.

A Copa do Penta
O Brasil ficou no grupo C, com Turquia, China e Costa Rica, e teve uma estreia complicada contra os turcos.

A seleção saiu atrás do placar e foi buscar a virada no segundo tempo, graças à malandragem do atacante Luizão. Após Ronaldo empatar o jogo, Luizão entrou em seu lugar e cavou um pênalti aos 43 minutos do segundo tempo. Rivaldo cobrou e marcou o gol da vitória brasileira.
Passada a tensão da estreia, a seleção brasileira teve brilhantes atuações. Venceu a China e a Costa Rica na fase de grupos por 4 a 0 e 5 a 2, respectivamente, passou com tranquilidade pela Bélgica nas oitavas, 2 a 0, e venceu a Inglaterra nas quartas por 2 a 1, com um gol antológico de Ronaldinho Gaúcho.
Na semifinal, o Brasil enfrentou novamente a Turquia, em um jogo que ficou marcado por dois momentos icônicos daquela Copa.
O “corte cascão”
No jogo contra a Inglaterra, Ronaldo sentiu um incômodo na coxa direita e teve que ser substituído. Devido à grave lesão que sofreu antes da Copa, muitos jornalistas e torcedores temiam que o camisa 9 não tivesse condições físicas de atuar no restante do torneio.
Para tirar o foco da lesão e da dúvida se iria jogar contra a Turquia, o Fenômeno decidiu cortar o cabelo de uma maneira peculiar. O “corte cascão” chamou a atenção de toda mídia e virou uma febre no território brasileiro.
Ronaldo não só jogou contra a Turquia, como fez o gol da vitória por 1 a 0 que deu ao Brasil a classificação para a final. O Fenômeno terminou como artilheiro da Copa, com 8 gols.

Denílson e os turcos
Outro momento marcante daquela partida foi o lance de Denílson contra a defesa turca. O atacante brasileiro foi cercado e perseguido por quatro defensores da Turquia até sofrer uma falta na linha lateral.
A jogada se tornou um símbolo daquele jogo e viralizou no mundo após a vitória brasileira.

Na final, o Brasil enfrentou a Alemanha, que tinha a melhor defesa da competição e o goleiro Oliver Kahn, eleito melhor jogador da Copa. A história da final todo mundo já conhece: Kahn “bateu roupa”, Ronaldo marcou duas vezes e o Brasil levantou a taça de campeão pela quinta vez na história.
A seleção de 2002 teve o terceiro melhor ataque do Brasil em copas (18), ficando atrás das seleções de 1970 (19) e 1950 (22). Entre as seleções brasileiras campeãs do mundo, a de 2002 possui a segunda melhor defesa, junto da seleção de 1958 (4). A equipe de 1994 lidera o quesito (3).
O penta veio com muita superação, talento e união entre os jogadores e a comissão técnica. Será que 20 anos depois poderemos gritar “É campeão” novamente e levantar a taça pela sexta vez? Vamos torcer!
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