Biomas em risco: desmatamento aumentou 20% em 2021
- Caroline Cavalleiro Campos
- 15 de ago. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de ago. de 2022
Relatório aponta que agropecuária é a principal responsável pelo avanço

Por Caroline Campos e Vitor Tenca
O projeto MapBiomas divulgou no último mês de julho o terceiro Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), que analisa os alertas de desmatamento detectados em território nacional durante todo o ano de 2021. O documento utilizou dados gerados por diversos sistemas de monitoramento pelo país e revelou a perda de 16.557 km² de vegetação nativa – um aumento de 20% em relação a 2020.
O desmatamento é definido pelo relatório como a “supressão completa ou quase completa da vegetação nativa existente em uma determinada área”. Em 2021, foram identificados e validados mais de 69 mil alertas da prática entre os seis biomas do país, em que mais de 98% não possuem autorização registrada no SINAFLOR/IBAMA, obrigatória para sua realização.
Além disso, a agropecuária aparece como o principal vetor de pressão do desmatamento, ou seja, a atividade é responsável por quase 97% de toda a perda de vegetação; o garimpo e a mineração aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Entre os estados, o Pará foi o que apresentou a maior área desmatada: foram mais de 402 mil hectares perdidos em 2021.
Das zonas protegidas, 40,5% dos territórios indígenas tiveram pelo menos um evento de desmate – foram 232 de 573 Territórios Indígenas (TIs) atingidos. A TI Apyterewa, no Pará, foi a que apresentou maior área desmatada: 8.247 ha derrubados para 514 alertas registrados. As TIs Trincheira Bacajá (2.620 ha) e Cachoeira Seca (2.034 ha) seguem na segunda e terceira posição na lista, ambas também no Pará.
Apesar do Brasil possuir um longo histórico de monitoramento ambiental e apresentar um total de 11 sistemas de vigilância, o principal problema apontado pelo RAD se resume às práticas de desmatamento que perpetuam de maneira irregular, o que resulta em um número mínimo de ações de combate e controle intermediadas por órgãos públicos ou particulares.

Amazônia
A Amazônia é o bioma que mais sofre com a perda de seu território, acumulando cerca de dois terços do total de alertas e 977 mil hectares desmatados.
Apesar da diminuição da quantidade de alertas registrados em relação ao ano anterior, o bioma ainda soma a maior acúmulo de notificações nesta área, concentrando também 59% de toda a supressão de vegetação do Brasil, conforme exemplifica o gráfico abaixo. A formação mais perdida do bioma foi a do tipo florestal.
Caatinga
Presente em grande parte do Nordeste brasileiro, a Caatinga apresentou a maior variação de alertas entre todos os biomas no período de 2020 a 2021: os dados subiram de 4.287 para 10.621, um aumento de 147,7%.
De acordo com o relatório, o ápice do desmate no bioma teria sido no dia 19 de julho de 2021, com 336 ha perdidos. Além disso, o tipo de vegetação nativa mais desmatada na área foi a formação savânica – cerca de 89,4%.
Cerrado
Em 2021, 30% do Cerrado foi derrubado – uma área equivalente a 500.537 hectares, sinalizada por mais de 6 mil alertas. O desmate posiciona o bioma em segundo lugar entre os mais afetados, ficando atrás apenas da Amazônia; juntos, os dois biomas representam 89,2% de toda a vegetação perdida.
Segundo a organização Conservation International, o Cerrado brasileiro compõe um dos 34 hotspots mundiais, ou seja, uma região biogeográfica que apresenta uma relevante reserva de biodiversidade, ao mesmo tempo que se encontra ameaçada de destruição. A formação mais atingida foi a savânica.
Mata Atlântica
Enquanto o número de alertas cresceu 68,5% em relação a 2020, a área de Mata Atlântica desmatada em 2021 subiu 27,1% de um ano para outro. Foram 5.171 para 30.155 ha perdidos.
Além disso, o maior desmatamento do bioma ocorreu em São João do Paraíso/MG, com 455 ha derrubados. Em relação a suas formações, a Mata Atlântica perdeu 78,9% do tipo florestal e 19,9% do tipo savânico.
Pampa
Segundo o RAD, as análises de desmatamento do Pampa apresentam valores abaixo da realidade em função da utilização de um sistema diferente de monitoramento: o Global Land Analysis and Discovery (GLAD). Esse sistema afeta a produção de dados, visto que demais biomas apresentam sistemas adaptados especificamente para cada região.
Ainda assim, o Pampa se depara com um aumento de 2.426 ha perdidos em relação à 2020 – o equivalente a 94% –, contando também com 100% de alertas com indício de irregularidade. A formação campestre foi a vegetação nativa mais afetada.
Pantanal
Com uma média de 1,12 ha desmatados diariamente (a maior entre todos os 6 biomas brasileiros), o Pantanal também não conta com um sistema propriamente adaptado para análise de sua mata nativa.
Em relação às vegetações desmatadas, o Pantanal apresenta certo equilíbrio em todas as formações destruídas: 48,6% de formação florestal, 30,8% de formação savânica e 17,7% de formação campestre.
Todos os alertas e laudos podem ser acessados de forma gratuita no site do MapBiomas Alerta.
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